Por Igor Coutinho
Se você mora no Recife e ainda não conhece o site PEBodyCount, possivelmente já viu o contador de homicídios colocado na Faculdade Maurício de Nassau, situada em uma das ruas mais movimentadas da cidade. O painel divulga, com atualizações diárias, a quantidade de assassinatos que aconteceram no ano, mês e dia, em todo o Estado de Pernambuco.
Sim, mas o que o site tem a ver com o contador? Bom, se você também fez essa pergunta, aqui vai a resposta: o “mostrador de mortes” nasceu do PEBodyCount, uma página de internet criada, especificamente, para contabilizar o número de homicídios. Uma iniciativa polêmica e para alguns, macabra, mas um protesto real e permanente contra a apatia e inércia da sociedade, diante do estado de violência urbana que atingimos.
O PEBodyCount é produzido por quatro premiados jornalistas. O site foi elaborado em formato de Blog e fora o painel, oferece importantes recursos e serviços à população no combate à criminalidade. Entre eles, um espaço dedicado exclusivamente à denúncias e números de telefone de diversas delegacias. A página também lista dados de todas as vítimas informadas no contador, além de fornecer elementos estatísticos, artigos e, claro, reportagens sobre o caos social vivenciado pelos pernambucanos.
A principal reclamação daqueles que não concordam com o site e, especialmente, com o painel é o fato de ambos exporem, sem pudor, a “ferida”. A justificativa é a de que o “mostrador de mortes” mancha o nome do Estado. Talvez, não dissessem isso se tivessem sofrido com o assassinato de parentes. É muito cômodo ser contrário a uma iniciativa, quando nunca precisamos lidar com os efeitos anteriores ao seu surgimento.
A maioria das vítimas de homicídios são indivíduos pobres e, muitas vezes, negros. Tal situação explica o motivo real porque tantos se opõem ao “mostrador de mortes”. Eles não se encaixam nesse perfil e estão pouco se lixando se “alguém”, de algum “alto” qualquer, foi assassinado. O que importa mesmo é fato do “maldito” contador está divulgando em um bairro nobre do Recife, quantos indivíduos pobres e negros foram mortos no Estado. E você, se importa?
Publicado por oslinguarudos 
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